Após 18 anos, o Deezer finalmente se torna lucrativo, mas seu crescimento permanece frágil.
Apr 03
Fri, 03 Apr 2026 at 01:16 AM 0

Após 18 anos, o Deezer finalmente se torna lucrativo, mas seu crescimento permanece frágil.

Após quase duas décadas de existência, o Deezer atingiu um marco simbólico.

De fato, em uma entrevista à Billboard, ficamos sabendo que a plataforma francesa de streaming de música anunciou, pela primeira vez, um ano fiscal lucrativo, marcando um ponto de virada em sua história.

Por trás desse desempenho, está uma profunda transformação estratégica… mas também questionamentos sobre sua capacidade de relançar seu crescimento…

Lucratividade alcançada por meio de disciplina fortalecida

Em Em 2025, a Deezer registrou um lucro líquido positivo de aproximadamente € 8 milhões, acompanhado por um EBITDA ajustado próximo a € 10 milhões, o primeiro desde sua criação em 2007. No entanto, esse retorno à lucratividade não se baseia em um aumento na atividade, mas sim em um maior controle de custos. Nos últimos três anos, a empresa realizou um reposicionamento estratégico, priorizando seus mercados mais promissores, principalmente França e Brasil. Isso levou a uma redução nas despesas operacionais de aproximadamente € 12 milhões e a uma melhoria geral em sua eficiência. Apesar dos sinais positivos, o crescimento permanece irregular. A receita atingiu € 534 milhões, uma leve queda em comparação com o ano anterior, com essa estabilidade mascarando mudanças internas. O segmento de assinatura direta, por sua vez, está crescendo em países como a França, onde o número de assinantes aumentou em mais de 8%. Por outro lado, a receita proveniente de parcerias diminuiu, impactada pelo fim de um importante acordo na América do Sul. Para Alexis Lanternier, CEO da Deezer, essa situação faz parte de um ciclo mais longo. O objetivo continua sendo um crescimento moderado, porém constante, com uma visão plurianual em vez de um foco em um único ano fiscal. IA e B2B como novos motores: Além dos resultados financeiros, a Deezer busca se diferenciar em questões estruturais importantes, a começar pela inteligência artificial. A plataforma afirma estar adotando uma postura proativa diante do crescimento do conteúdo gerado automaticamente. Diariamente, dezenas de milhares de faixas geradas por IA são detectadas no serviço, representando uma parcela significativa dos novos lançamentos. No entanto, sua participação real no público ouvinte permanece marginal, especialmente após a filtragem de conteúdo fraudulento. Essa expertise técnica abre novas perspectivas para a empresa, e a Deezer está explorando a comercialização de suas ferramentas no mercado B2B, por meio de ofertas de marca branca ou soluções de detecção de conteúdo. Entre seus clientes já estão marcas como Converse e Dunkin’.

Um modelo centrado na música, indo contra a corrente

Diante de concorrentes como Spotify e YouTube, que estão focando na diversificação, particularmente por meio de podcasts no caso do Spotify, o Deezer optou por permanecer um reprodutor de música puro.

Esse posicionamento deliberado é acompanhado por iniciativas como o modelo "centrado no artista", que visa remunerar melhor os artistas, recompensando a escuta ativa e limitando o abuso.

Mas será que essa estratégia mais direcionada e disciplinada será suficiente para reativar o crescimento de forma sustentável nesse mercado cada vez mais competitivo?

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