Em Paris, quase metade dos alunos do sexto ano poderá frequentar escolas particulares até 2035.
De acordo com um estudo do Instituto de Políticas Públicas (IPP) publicado na terça-feira, 3 de março de 2026, a queda da taxa de natalidade poderá transformar profundamente o equilíbrio entre a educação pública e privada nas principais cidades francesas.
Em Paris, a proporção de alunos do 6º ano matriculados em escolas particulares poderá chegar a 50% até 2035, uma consequência do declínio demográfico que afeta todas as principais cidades e reforça a segregação escolar. segregação.
Com base em dados do INSEE e do Ministério da Educação Nacional, o estudo observa que a diminuição do número de alunos, ligada à queda da taxa de natalidade desde 2010, "desequilibra" a distribuição entre escolas públicas e privadas: estas últimas mantêm seus números, enquanto o setor público absorve quase toda a contração, o que aumenta mecanicamente a participação do setor privado.
Em Paris, a participação das escolas privadas está aumentando consideravelmente
A capital ilustra claramente essa mudança. Os nascimentos lá caíram 32% entre 2010 e 2024 (de 31.440 para 21.484). A matrícula na primeira série começou a declinar seis anos após o início da queda na taxa de natalidade, resultando em uma queda de 19% entre 2016 e 2024. A matrícula na sexta série começou a declinar cinco anos depois, caindo 10% entre 2020 e 2024.
Mas o declínio na matrícula não afeta a educação pública e privada da mesma forma. O número de alunos em escolas particulares diminuiu apenas 3,8% na primeira série (CP) entre 2016 e 2024 e 1,4% na sexta série entre 2020 e 2024, em comparação com -24,4% e -14,4% para as escolas públicas. A participação das escolas privadas está, portanto, aumentando, atingindo 27,5% no Ensino Fundamental em 2024 (em comparação com 23% em 2016) e 38,7% no 6º ano (em comparação com 35,4% em 2020). Se a tendência continuar, poderá chegar a 33,6% no Ensino Fundamental em 2030 e a 49,4% no 6º ano em 2035. De acordo com pesquisadores do Instituto, esse desenvolvimento "acentuaria uma polarização social já muito forte", alertam. Em 2024, 55% dos alunos do 6º ano de famílias muito privilegiadas estavam matriculados em escolas privadas. Essa proporção poderá subir para 72% até 2035, em comparação com apenas 7% para alunos desfavorecidos.
Essa tendência também está surgindo nas principais cidades francesas
Nas 19 maiores cidades fora de Paris, a dinâmica é mais tardia e menos acentuada, mas segue a mesma trajetória. O declínio na taxa de natalidade é mais recente e menos acentuado (-17% entre 2014 e 2024), e a contração está apenas começando a afetar o primeiro ano do ensino fundamental (CP), cujo número está diminuindo de -5% a -15%, dependendo da cidade, entre 2020 e 2024, sem impacto visível ainda no ingresso no sexto ano (6ème).
Nesse contexto, a participação da educação privada também deverá continuar a crescer nos próximos anos. Além disso, a proporção de escolas particulares para alunos que ingressam no primeiro ano do ensino fundamental aumentou de 19,1% para 19,8% entre 2020 e 2024 e poderá chegar a 22,3% em 2030. Para o sexto ano do ensino fundamental, em que 36,3% dos alunos estavam matriculados em escolas particulares em 2024, essa proporção poderá subir para 40,8% até 2035.
Distribuir igualmente os fechamentos de escolas entre escolas particulares e públicas
Diante dessa situação, os pesquisadores do IPP propõem diversas vias para reverter essas tendências, principalmente por meio de uma distribuição mais equitativa dos fechamentos de turmas, que atualmente estão quase inteiramente concentrados no setor público.
O instituto também recomenda a revisão da regra de financiamento das escolas particulares, que é indexada à matrícula de alunos, e a incorporação de objetivos. Disposições explícitas para a diversidade social também são incluídas. nos acordos entre o Estado e as instituições contratadas.
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