Voleibol: "A história de Cannes começa agora", as grandes ambições do proprietário Craig Carracher.
É uma bela adormecida que precisa escolher seu príncipe encantado. Após a demissão do técnico Constant Tchouassi em meados de fevereiro, no comando de um time inconsistente, o AS Cannes está prestes a escolher um novo treinador para a próxima temporada. E o objetivo é recrutar um jogador de alto nível "capaz de liderar nossas jogadoras de vôlei rumo ao título do campeonato europeu", afirmou o proprietário australiano Craig Carracher após longas trocas de mensagens com a RMC Sport. Embora o caminho seja direto, o desafio é significativo, considerando que apenas três clubes franceses conquistaram o título da Liga dos Campeões de vôlei: Cannes em 2002 e 2003 no feminino, e Paris em 2001 e Tours em 2005 no masculino. O desafio é difícil quando se vê também que sete clubes franceses deixaram sua marca em outras copas europeias, o mais recente sendo o Narbonne, vencedor da Challenge Cup em 2022.
Para recuperar sua antiga glória, o clube de Cannes, que inclui as equipes feminina (RC Cannes) e masculina (AS Cannes Dragons), quer implementar uma nova estrutura para seus treinadores: "Queremos criar um grupo de treinadores dentro de nossa estrutura única, já que as equipes masculina e feminina pertencem ao mesmo grupo, Cannes Volleyball", continua o técnico australiano. "Compartilharemos a infraestrutura, o local e os recursos de apoio para oferecer as melhores oportunidades de treinamento e desenvolvimento na França. Essa é a nossa ambição para Cannes."
No papel, a ideia é inovadora, como o Performance Hub criado em Nantes pelos Neptunes no início da década para as equipes femininas de vôlei e handebol: a equipe técnica pode usar o mesmo preparador físico, a mesma equipe médica "e a economia não é absurda considerando o tempo gasto", insiste um treinador que já treinou ambos os gêneros. "Do ponto de vista técnico, tudo depende dos pontos fortes e fracos das equipes, mas as diferenças entre meninos e meninas não são insuperáveis porque os fundamentos do desempenho no vôlei são idênticos. Não acreditem em quem diz que é muito complexo de implementar", conclui o treinador. Para encontrar o candidato perfeito, a direção do Cannes realizou diversas reuniões com treinadores franceses e brasileiros para suceder Constant Tchouassi, que deixou o comando dos Dragões em meados de fevereiro. Pierre Pujol, confirmado no cargo de Diretor de Voleibol de Cannes, e Amaury Delbart, o presidente, têm a total confiança de Carracher: "Vamos escolher juntos, com base na recomendação deles. Raramente sou eu quem toma a decisão final; é um trabalho de equipe. Queremos elevar Cannes a um patamar superior na França e na Europa, para desafiar os melhores da LNV e de Tours. Queremos criar a melhor equipe francesa na Europa. A história de Cannes começa agora", continuou o empresário australiano. Assim como Marcelo Fronckowiak deve retornar à França, para o Chaumont, caso o CVB 52 evite o rebaixamento, e Alexis Gonzalez está cotado para suceder Le Marrec no comando do Montpellier, o AS Cannes estaria de olho em um técnico brasileiro, atualmente na Turquia, que treinou com um renomado técnico canadense na França. "Nosso objetivo é fazer de Cannes a cidade mais atraente para se jogar voleibol na França." A imagem de Cannes e sua qualidade de vida são fatores-chave que o presidente da Federação Australiana de Voleibol quer aproveitar para atrair os melhores jogadores e treinadores: "O estilo da Riviera Francesa se alinha perfeitamente com a imagem do nosso clube e da cidade de Cannes, combinando o glamour da Riviera, a elegância mediterrânea e o charme da Belle Époque que permeia nossa cidade." E o AS Cannes estava prestes a realizar seu primeiro grande feito: os Dragões igualaram a oferta do Tours para contratar Earvin Ngapeth, que acabou optando pelo TVB para as próximas duas temporadas. "O retorno de Earvin ao Tours é um passo importante para a Liga Nacional de Voleibol (LNV), mas não é suficiente. A LNV precisa se comprometer totalmente a atrair os melhores jogadores do mundo, incluindo os da seleção francesa, bicampeã olímpica. Precisamos aproveitar essas oportunidades, sem esquecer a ascensão da seleção francesa feminina."O problema é que os retornos de Kévin Tillie ao Tours em 2021 e de Ngapeth ao Poitiers na última temporada apenas conseguiram lotar as arenas (o que já é bom para as finanças dos clubes), sem que a LNV e as equipes conseguissem capitalizar essas oportunidades a longo prazo. No momento, as ligas profissionais francesas "são apenas trampolins para jogadores que retornam à França no final de suas carreiras ou para se estabelecerem e garantirem um contrato muito mais lucrativo nas principais ligas (Itália, Turquia, Polônia)", como explicou Arnaud Josserand, auxiliar técnico da seleção francesa campeã olímpica de 2021, em entrevista anterior à RMC Sport. "É necessária uma campanha em larga escala para revitalizar a Liga e o voleibol francês", insiste Josserand, que também é presidente da Federação Australiana de Voleibol. No contexto atual de queda de público nas arenas e da retirada de alguns patrocinadores locais, que Cannes está vivenciando, a aposta é arriscada, mas Carrachery acredita: "Vamos desenvolver uma estratégia para vencer o Tours de Ngapeth e os melhores clubes franceses. O Tours é claramente o time a ser batido, o carro-chefe do vôlei francês. O AS Cannes agora se concentrará nessa prioridade. Nosso objetivo é fazer de Cannes a cidade mais atraente para se jogar vôlei na França. Cannes? Tours? Eu sei onde quero estar!" conclui o homem que também quer levar a seleção masculina australiana para as Olimpíadas de Los Angeles. Que venha a próxima temporada!
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